Levanta teus olhos em direção ao Sol

The Sun and The Flower

Ele está lá nesse maravilhoso coração de vida e luz e esplendor.

Observa, à noite, as inúmeras constelações cintilando como outras tantas fogueiras solenes do Eterno no silêncio ilimitado, que não é nenhum vazio, mas pulsa com a presença de uma única existência calma e tremenda.

Olha Órion, com sua espada e cinto brilhando, como brilhou aos antepassados Arianos a dez mil anos atrás, no começo da era Ariana; Sírius no seu esplendor, e Lira percorrendo biliões de milhas no oceano do espaço.

Lembra-te que estes mundos inumeráveis, a maior parte deles mais poderosos que o nosso próprio, estão a girar com velocidade indescritível ao aceno desse Ancião dos Dias, a quem ninguém, exceto Ele, conhece e, contudo, são milhões de vezes mais antigos que os Himalaias, mais firmes que as raízes das tuas colinas e assim permanecerão até que Ele, à sua mercê, os sacuda como folhas murchas da eterna árvore do Universo.

Imagina a perpetuidade do Tempo, considera a incomensurabilidade do Espaço; e, então, lembra-te que, quando estes mundos ainda não existiam, Ele era ainda o Mesmo.
Observa que, além de Lira, Ele está, e, no longínquo Espaço, onde as estrelas do Cruzeiro do Sul não podem ser vistas, ainda assim Ele lá está.

E, então, volta à Terra e considera quem é este Ele.
Ele está bem perto de ti.
Repara naquele homem idoso que passa perto de ti, abatido e curvado, apoiado em seu bastão. Imaginas tu que é Deus quem está passando?
Há uma criança rindo e correndo ao sol. Podes tu ouvi-Lo nesse riso?
Não, Ele está ainda mais próximo de ti. Ele está em ti, Ele é tu mesmo.
És tu que ardes lá longe, a milhares de milhas de distância, nas infinitas extensões do Espaço, és tu que caminhas com passos confiantes sobre as turbulentas vagas do mar etéreo.

És tu que colocaste as estrelas nos seus lugares e teceste o colar de sóis, não com mãos, mas por este Yoga, esta Vontade silenciosa, impessoal e inativa, que te colocou hoje aqui, ouvindo a ti mesmo em mim.

Olha para cima, oh filho do Yoga antigo, e não sejas mais medroso e céptico; não temas, não duvides, não lamentes, porque, em teu aparente corpo, está Aquele que pode criar e destruir mundos com um sopro.

 
– Sri Aurobindo

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